Notícias e Pesquisas

12 Nov 2019

Vacinas: praticamente metade dos brasileiros vê ou ouve informações sobre o tema nas redes sociais e/ou pelo WhatsApp

O IBOPE Inteligência realizou um levantamento em todo Brasil, com 2.002 entrevistas, visando identificar a percepção dos brasileiros a respeito das vacinas. O estudo foi feito a pedido do Avaaz.org e ocorreu entre os dias 19 e 22 de setembro.

Onde veem ou ouvem sobre vacinas

Os entrevistados foram questionados sobre quais as fontes em que mais veem ou ouvem informações sobre as vacinas e a mídia tradicional, que inclui televisão, rádio, jornal e sites de notícias da grande imprensa, desponta como a mais citada, com 68%. Em segundo lugar, mencionadas por praticamente metade da população (48%) estão as redes sociais, como o Facebook, o Youtube e o Instagram e/ou o WhatsApp ou outros aplicativos de mensagens instantâneas. Em seguida aparecem as conversas com amigos e familiares (43%), o Ministério da Saúde/governo (42%), os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde (41%) e com menor número de menções, a Igreja ou grupos religiosos (9%). Os entrevistados tinham a opção de mencionar até três fontes que mais se informam sobre o tema.

Espontaneamente, 1% dos entrevistados citam outras fontes de informações, que não as apresentadas em cartela, mesma parcela que alega não se manter informada a respeito de vacinas. Nessa questão, somam 2% aqueles que não sabem ou não respondem.

FONTES DE INFORMAÇÕES SOBRE VACINAS

(estimulada – %)

Quando questionados sobre a frequência com que recebem ou ficam sabendo de mensagens negativas sobre vacinas através das redes sociais (Facebook, Youtube, Instagram, etc.) ou pelo WhatsApp, 38% dos brasileiros afirmam ter contato com alguma frequência com este tipo de mensagem, sendo que 4% alegam que isso acontece todos os dias, parcela semelhante (5%) diz que isso ocorre quase todos os dias e praticamente três em cada dez entrevistados (29%) recebem essas mensagens de vez em quando. Para 23% o contato com mensagens negativas sobre vacinas acontece raramente e para 36% nunca ocorre.

FREQUÊNCIA COM QUE TOMAM CONHECIMENTO DE MENSAGENS NEGATIVAS SOBRE VACINAS

(estimulada - %)

Considerando a parcela da população que indica as redes sociais e/ou WhatsApp como fonte de informação sobre vacinas, percebe-se que a frequência com que recebem mensagens negativas por esses meios atinge um percentual mais expressivo do que entre os que não as citam e os brasileiros em geral: 50% afirmam receber essas informações com alguma frequência e outros 50% recebem raramente ou isso nunca acontece. Já entre os que citam outras fontes de informação que não as redes sociais e/ou WhatsApp, cerca de sete em cada dez (68%) declaram ter recebido mensagens negativas raramente ou nunca.

FREQUÊNCIA COM QUE RECEBE OU TOMA CONHECIMENTO DE MENSAGENS NEGATIVAS SOBRE VACINAS ATRAVÉS DAS REDES SOCIAIS OU DO WHATSAPP

(estimulada - %)

A grande maioria dos brasileiros (87%) diz nunca ter deixado de se vacinar ou de vacinar uma criança que estava sob seus cuidados, ao passo que 13% dos entrevistados, ou seja, aproximadamente 21.249.073 brasileiros com 16 anos ou mais*¹, já deixou de fazer isso.

DEIXOU DE SE VACINAR OU DE VACINAR ALGUMA CRIANÇA

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A proporção daqueles que deixaram de se vacinar ou de vacinar uma criança é semelhante ao compararmos o resultado obtido no total da amostra e aquele encontrado entre os brasileiros que têm acesso ou não a informações sobre vacinas nas redes sociais e/ou o WhatsApp (14%) ou com os profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros (11%).

DEIXOU DE SE VACINAR OU DE VACINAR ALGUMA CRIANÇA

(estimulada - %)

A falta de planejamento ou esquecimento é a principal razão para a não vacinação, citada por 38% da amostra. Ademais, 31% alegam não ter achado a vacina necessária, enquanto 27% citam a falta de informação, 24% o medo de ter algum efeito colateral grave após tomar a vacina, 20% a dificuldade de acessar os postos de saúde e 18% afirmam ter medo de contrair, através da vacina, a doença que deve prevenir. Com citações menos expressivas aparecem os alertas, notícias e histórias que leram on-line (9%), a escolha por um tratamento alternativo que consideram mais eficiente que a vacina (7%) e os alertas, notícias e histórias que ouviram de líderes religiosos (4%).

Nesta pergunta, 20% dos entrevistados citam, espontaneamente, outras razões que não as apresentadas em cartela e 2% não sabem ou preferem não responder.

Os entrevistados poderiam citar até três razões apresentadas em cartela para não ter se vacinado ou por ter deixado de vacinar uma criança que estava sob seus cuidados.

RAZÕES PARA TER DEIXADO DE SE VACINAR OU DE VACINAR ALGUMA CRIANÇA

(somente aqueles que deixaram de se vacinar ou de vacinar alguma criança) (estimulada – %)

É possível notar que as menções às razões citadas são mais acentuadas entre os que citam as redes sociais e/ou WhatsApp como fonte de informação do que entre os que não citam essas fontes. Destacam-se:

- “Falta de planejamento ou esquecimento”: 41% entre quem indica as redes sociais e/ou o WhatsApp como fonte de informação e 34% entre os que não as citam.

- “Não achei que a vacina fosse necessária” e “Medo de ter algum efeito colateral grave após tomar a vacina”: ambas as frases possuem uma diferença de 10 pontos percentuais (p.p.) entre os grupos. A primeira obtém 36% de menções naquele que tem como fonte de informação sobre vacinas as redes sociais e/ou o WhatsApp, contra 26% no que não tem. Já o medo do efeito colateral grave obtém 29% entre os que citam as redes e/ou o WhatsApp, enquanto recebe 19% no outro grupo.

- “Difícil acesso a postos de vacinação” e “Medo de contrair, através da vacina, a doença que a vacina dizia prevenir”: cada afirmativa tem uma diferença de 9 p.p. entre os grupos, sendo que a primeira delas é citada por 24% dos que tomam conhecimento sobre vacinas nas redes sociais e/ou no WhatsApp e a segunda por 22% no mesmo grupo. Já entre os que não citam as redes sociais e/ou o WhatsApp, a dificuldade de acesso aos postos de vacinação é mencionada por 15% e o medo de contrair a doença através da vacina, por 13%.

Também é possível observar algumas diferenças sobre as razões de não vacinação entre aqueles que mencionam ou não os profissionais de saúde como fonte sobre as vacinas:

- “Falta de planejamento ou esquecimento”: é mais expressiva entre os citam (42%) do que entre os que não os citam como fontes de informação (35%).

- “Falta de informação”: é apontada por 32% entre os que citam profissionais de saúde como fonte de informação, contra 24% entre os que não citam essa fonte.

- “Difícil acesso a postos de vacinação”: é citada por 23% dos que se informam com médicos, enfermeiros e outros profissionais da área, contra 18% dos que não os citam como fonte de informação.

Além disso, nota-se que algumas razões aparecem de forma mais relevante entre aqueles que citam como fonte de informação as redes sociais e/ou WhatsApp do que entre os que apontam os profissionais de saúde:

- Não achei que a vacina fosse necessária

- Medo de ter algum efeito colateral grave após tomar a vacina

- Medo de contrair, através da vacina, a doença que a vacina dizia prevenir

RAZÕES PARA TER DEIXADO DE SE VACINAR OU DE VACINAR ALGUMA CRIANÇA

(somente aqueles que deixaram de se vacinar ou de vacinar alguma criança) (estimulada – %)

Os entrevistados também foram questionados quanto a sua percepção em relação à segurança das vacinas, sendo possível notar que a maioria relativa (54%) as considera totalmente seguras. Representam 45% aqueles que sentem alguma insegurança em relação as mesmas, sendo 31% os que creem que são parcialmente seguras, 8% que são parcialmente inseguras e para 6% as vacinas são totalmente inseguras. Somam 2% aqueles que não sabem ou preferem não responder esta pergunta.

SEGURANÇA DAS VACINAS

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Observando a percepção entre os brasileiros que têm e os que não têm contato com informações sobre as vacinas através das redes sociais e/ou pelo WhatsApp, constata-se que aqueles que não citam essas fontes de informação sentem-se mais seguros em relação às vacinas, do que entre os que citam (58% e 49% respectivamente afirmam que elas são totalmente seguras). A insegurança aparece na mesma proporção entre os grupos, porém é maior a parcela dos que sentem alguma insegurança em relação às vacinas entre os que citam as redes e/ou WhatsApp (51% contra 39% entre os que mencionam outras fontes).

Já ao analisar aqueles que citaram e os que não citaram profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e outros profissionais da área) como fonte de informação, nota-se que 58% dos brasileiros que se informam através destes, consideram-se totalmente seguros em relação às vacinas, ao passo que 47% daqueles que não mencionam essas fontes sentem alguma insegurança.

PERCEPÇÃO DE SEGURANÇA EM RELAÇÃO ÀS VACINAS

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O IBOPE Inteligência apresentou algumas afirmações sobre mitos relacionados às vacinas, para que os entrevistados dissessem quais delas consideravam corretas, sendo possível apontar quantas frases quisessem.

Desta forma, praticamente um quarto dos entrevistados (24%) acredita na veracidade da frase “Há boa possibilidade das vacinas causarem efeitos colaterais graves”. Ainda neste contexto, as afirmativas “Há boa possiblidade das vacinas causarem as doenças que dizem prevenir”, “Mulheres grávidas não podem se vacinar”, “Algumas vacinas contra DSTs, como a de HPV, servem de incentivo para que jovens adotem comportamentos promíscuos” e “Há tratamentos alternativos tão ou mais eficientes que as vacinas tradicionais” são citadas como corretas por cerca de dois em cada dez respondentes, com percentuais variando de 17% a 20% em cada uma das afirmativas.

Além disso, 14% indicam como correta a afirmação “O governo usa vacinas como método de esterilização forçada da população pobre”, 13% que “Vacinas podem sobrecarregar o sistema imunológico das crianças”, 12% que “Contrair a doença é, na verdade, uma proteção mais eficaz do que se vacinar contra ela” e 7% que “Os pais/familiares podem se contaminar com fezes das crianças que tomaram vacinas que usam vírus vivos, como a rotavírus”. Espontaneamente, 22% dos brasileiros dizem que nenhuma das afirmações é correta e 11% não sabem ou preferem se abster de responder.

Isto posto, conclui-se que aproximadamente dois terços dos brasileiros (67%) acreditam em pelo menos uma notícia falsa sobre vacinas.

INFORMAÇÕES SOBRE VACINAS CONSIDERADAS CORRETAS

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Para finalizar, ao compararmos as afirmativas consideradas corretas pelos grupos, percebemos que é maior a parcela que considera certa a frase “Há boa possibilidade das vacinas causarem efeitos colaterais graves” dentre aqueles que veem ou ouvem informações a respeito de vacinas em redes sociais e/ou no WhatsApp (27% contra 21% entre os que não citam essas fontes de informação sobre vacinas). E neste mesmo

grupo é menor o percentual dos que não sabem ou não respondem à questão (5%, contra 17% entre os que não citam essas fontes de informação sobre vacinas).

Ademais, a proporção dos que são impactados pela desinformação, ou seja, que consideram alguma das afirmativas apresentadas como correta é menor entre os que não têm as redes sociais e/ou WhatsApp como fonte de informação do que entre os que as tem, 60% e 73%, respectivamente.

MITOS CONSIDERADOS CORRETOS:

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DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

As fake news estão nos deixando doentes?

Margem de erro

2 (dois) pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Tema

Opinião pública

Saúde

Contratante

Avaaz.org

Período

19/09/2019 a 22/09/2019

Local

Brasil

Amostra

2.002 entrevistas

ARQUIVO(S) PARA DOWNLOAD
Pesquisa por recortes sociodemográfico
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Apresentação