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05 Mai 2020

O que pensam os internautas paulistanos sobre os impactos do coronavírus

A pesquisa “Viver em São Paulo: Especial Pandemia”, realizada pelo IBOPE Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo, traz dados sobre a experiência da pandemia de coronavírus e do isolamento social entre os internautas das classes A, B e C da capital paulista.

Confira os principais resultados

O estudo aponta que quase dois terços dos internautas tiveram algum impacto negativo na renda pessoal por causa da pandemia. Quase sete em cada dez consideram adequadas as medidas adotadas até agora pelo governador do estado e pelo prefeito da cidade para combater os impactos da COVID-19; e a ampla maioria está evitando sair de casa para que estes impactos sejam os menores possíveis.

Avaliação de medidas adotadas por agentes públicos

Convidados a avaliar as medidas adotadas até o momento pelos principais agentes públicos, aproximadamente sete em cada dez entrevistados consideram adequadas as medidas adotadas pelo Ministro da Saúde (71%), pelo Governador de São Paulo (68%) e pelo Prefeito da capital paulista (68%). A pesquisa mostra também que parcela significativa não sabe opinar sobre as medidas adotadas pelos Vereadores e Deputados Estaduais para combater a pandemia: 39% e 34%, respectivamente. Já as medidas adotadas pelo Presidente da República são consideradas não adequadas por 57% dos respondentes. Entre os internautas residentes na região Central da cidade este percentual chega a 80%.

Sobre a troca do Ministro da Saúde feita recentemente, 30% dos respondentes apoiam a mudança.

A cidade durante a pandemia

Para praticamente um terço dos respondentes, a cidade de São Paulo, se comparada a outras cidades do país, tem a vantagem de contar com uma ampla rede pública de saúde e ter os melhores profissionais de saúde para o enfrentamento da doença (31% cada). Por outro lado, haver muitas pessoas que não cumprem o isolamento social é a principal desvantagem da capital paulista, segundo seis em cada dez internautas que responderam à pesquisa. Além disso, o transporte público lotado e a população em situação de rua também são consideradas desvantagens da cidade para praticamente metade dos participantes (51% e 49%, respectivamente).

Segundo 58% dos internautas pesquisados, as ruas da cidade de São Paulo estão mais vazias durante o isolamento social, 52% percebem o ar da cidade mais limpo e 48% acham que a capital está menos barulhenta. As percepções destas mudanças são mais fortes entre os internautas moradores do Centro (68% ruas mais vazias, 62% ar mais limpo e 65% menos barulhenta), Oeste (67%, 61%, 58%, respectivamente) e Sul (68%, 60% e 54%, respectivamente).

Vivendo a pandemia

Para 50% dos internautas paulistanos a principal preocupação em relação à pandemia para a vida pessoal é a saúde de seus familiares. Para 17% é a própria saúde, enquanto as preocupações econômicas aparecem no medo de ficar desempregado (11%) e em ter a renda diminuída/perder clientes ou ter prejuízos financeiros (10%). No que diz respeito à principal preocupação para o Brasil de forma geral, 49% temem uma piora na economia do país e 36% o aumento da desigualdade social.

Questionados sobre os três principais itens que mais contribuem para diminuir os impactos da pandemia do coronavírus na vida das pessoas, os mais citados foram: mais investimentos no SUS (40%) e o isolamento total da população (37%). Logo em seguida aparecem a renda básica emergencial para todas as pessoas (32%) e aumentar a quantidade de testes do coronavírus (30%).

Dentre algumas opções de ações pessoais adotadas para que os impactos da pandemia sejam os menores possíveis, a grande maioria (77%) diz que está evitando sair de casa, 44% estão rezando/orando/tendo fé, 30% estão comprando mais coisas pela internet, aplicativos ou telefone para não ter que sair de casa e 28% adquirindo produtos ou serviços de produtores pequenos/locais.

Sobre o isolamento social, pouco mais da metade (53%) afirma que está saindo de casa somente para compras essenciais (na região Leste este percentual é de 59%); 19% estão saindo para trabalhar e outros 19% não saem para nada ou quase nada (entre os moradores do Centro e da região Sul: 25% em cada).

Para a maioria (57%) o número de pessoas em isolamento na cidade de São Paulo diminuiu desde as primeiras medidas adotadas no estado de São Paulo, em 24 de março. Entre os moradores da região Sul da cidade este percentual é de 61%. Já os residentes da região Oeste têm a maior percepção de aumento de pessoas em isolamento: 29%, contra 23% no total da amostra.

Em relação ao impacto do isolamento social nas atividades do dia a dia, dois terços dos internautas paulistanos afirmam que o convívio social com amigos e familiares foi muito impactado. As atividades de lazer (60%), o trabalho (56%) e as atividades culturais (51%) também se destacam como as atividades que sofreram mais impacto nessas semanas de isolamento social por causa do coronavírus. As regiões Norte e Leste apresentam os maiores percentuais de “muito impacto” no trabalho (58% e 59%, respectivamente), enquanto os internautas da região Oeste declaram maior impacto no convívio social (72%).

Convidados a eleger as três coisas que mais sentem falta da vida antes do isolamento social, frequentar o comércio, feiras, restaurantes, bares e shoppings é a opção mais citada, com 42% das menções. Com percentuais muito próximos aparecem também o contato físico com pessoas próximas (39%), encontrar as pessoas sem restrições (37%) e voltar a trabalhar/trabalhar fora de casa (36%). Entre os internautas do Centro é maior o percentual dos que sentem falta de circular pelas ruas da cidade (30%, contra 22% no total de respondentes). Já os que residem na região Oeste destacam-se por serem os que mais sentem falta de viajar para outras cidades (29%, contra 14% no total da amostra).

Trabalho e renda

Considerando apenas os internautas que tinham renda pessoal antes da pandemia, 64% tiveram alguma diminuição na renda, seja total ou parcial, dos quais 22% perderam completamente seu rendimento por causa da pandemia (na região Norte o percentual de perda total de renda é de 28%).

Ainda entre quem tinha renda antes da pandemia, 55% tiveram redução total ou parcial na jornada de trabalho, dos quais 19% estão temporariamente sem trabalhar. A região da cidade com maior percentual de internautas que declaram queda na jornada de trabalho é a Norte: 60%, sendo que 22% estão temporariamente sem trabalhar. Aqueles que foram demitidos por causa da pandemia somam 6%.

Dentre os que continuam tendo jornada de trabalho, cerca de metade passou a trabalhar totalmente ou parcialmente de casa: 35% passaram a realizar todo o trabalho em casa e 19% estão trabalhando parcialmente em casa. O trabalho realizado integralmente de casa é mais frequente entre os internautas da região Oeste (46%), enquanto os da região Norte destacam-se por não haver mudança no local de trabalho (55%).

Percepções gerais sobre saúde, moradores da periferia e empresas

Foram apresentadas algumas frases para que os respondentes informassem o grau de concordância com cada uma delas. Abaixo seguem os percentuais de concordância (total ou parcial):

  • Os moradores da periferia de São Paulo vão sofrer mais por causa da pandemia do coronavírus do que os moradores das outras regiões da cidade: 81%.
  • Se não fosse o SUS, as consequências da pandemia do coronavírus seriam muito piores: 69%.
  •  As empresas que demitem funcionários durante a pandemia deveriam ser punidas pelo governo: 63%.
  •  Valorizo mais o SUS após a pandemia do coronavírus: 62%.
  •  Os serviços particulares de saúde da cidade de São Paulo estão preparados para atender pacientes infectados pelo coronavírus: 57%.
  • As medidas anunciadas pelo Governo Federal beneficiam mais as empresas do que os trabalhadores: 54%.
  • Os serviços públicos de saúde da cidade de São Paulo estão preparados para atender pacientes infectados pelo coronavírus: 49%.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

Viver em São Paulo – Especial Pandemia

Margem de erro

3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Tema

Internet

Opinião pública

Saúde

Contratante

Rede Nossa São Paulo

Período

17/04/2020 a 26/04/2020

Local

Brasil

Amostra

800 entrevistas

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Viver em São Paulo – Especial Pandemia