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14 Set 2020

O que pensam os internautas paulistanos sobre os impactos do coronavírus na educação

A pesquisa “Viver em São Paulo: Especial Pandemia”, realizada pelo IBOPE Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo, traz dados sobre a experiência da pandemia de coronavírus e do isolamento social entre os internautas das classes AB e C da capital paulista.

Principais resultados

A pesquisa aponta que 8 em cada 10 internautas paulistanos consideram inadequada a retomada das aulas presenciais nas creches e escolas da cidade de São Paulo ainda este ano. O estudo aponta ainda que para praticamente metade dos pais e responsáveis por crianças e/ou adolescentes, a maior dificuldade em relação ao ensino remoto durante a pandemia é manter os filhos concentrados e interessados durante as aulas.

Educação

Para 47% dos respondentes o acompanhamento das aulas remotas por parte de alunos e professores foi adequado durante este período de fechamento das escolas por causa da pandemia, já 42% acham que não foi adequado e 12% não sabem. Entre quem tem filho ou é responsável por alguma criança ou adolescente de 0 a 18 anos matriculado em creche ou escola, 55% consideram que o acompanhamento das aulas foi adequado e 41% que não foi adequado.

A dificuldade em manter os filhos concentrados e interessados durante as aulas foi o item mais citado por pais e responsáveis por crianças e/ou adolescentes entre as maiores dificuldades enfrentadas em relação ao ensino remoto durante a pandemia, com 48% das menções. Em seguida aparecem também a falta de internet adequada/ velocidade da internet insuficiente (33%); dificuldade para conciliar o auxílio aos filhos com os afazeres domésticos (27%); ter que deixar os filhos por muito tempo diante da tela do computador, celular ou tablet (26%) e não conseguir acompanhar todo o conteúdo dado pela escola (26%).

Pensando nas atividades escolares dos filhos ou crianças e adolescentes sob sua responsabilidade durante a pandemia, os pais ou responsáveis responderam seu grau de concordância a respeito de diversos aspectos. A seguir, os percentuais de concordância total ou parcial:

• Os estudantes tiveram dificuldades com infraestrutura e espaço de estudo como barulho, importunação, etc.: 77%;

• Os estudantes tiveram dificuldades para acessar as aulas transmitidas pela internet: 76%;

• Os estudantes tiveram dificuldades com o uso de equipamentos (computador, tablet, notebook): 65%;

• Os estudantes tiveram dificuldades para acessar as aulas transmitidas pela TV ou Rádio: 63%;

• Os materiais didáticos e a metodologia no ensino remoto foram adequadas: 60%;

• Os profissionais de educação estavam bem preparados para o ensino remoto: 42%

Voltando a falar do total da amostra, 88% consideram que o fechamento das escolas foi adequado como medida para combater o impacto da pandemia do coronavírus na educação. Outras medidas avaliadas neste sentido foram: cartão alimentação (59% consideram adequado, na região Leste chega a 67%); aulas online (58% consideram adequada); material de estudo em casa, como apostila, livros, etc. (58% dizem que foi adequado). Quanto às aulas por outras mídias como TV e rádio, 41% dos entrevistados consideram adequadas, no entanto, 23% não sabem responder sobre esta medida. Não há diferença significativa quando esses aspectos são analisados considerando os que são pais ou responsáveis por crianças e/ou adolescentes.

No que diz respeito à retomada das aulas presenciais nas creches e escolas da cidade de São Paulo ainda neste ano, 81% dos respondentes da pesquisa consideram uma medida inadequada e 15% adequada (opinião é similar entre pais e/ou responsáveis por crianças e/ou adolescentes. Os motivos mais citados como principal por quem considera o retorno às aulas este ano inadequado são: não vale a pena arriscar a saúde dos estudantes, professores e outros profissionais da área, com 28% das menções (35% na região Sul) e, não acredito que conseguirão manter o distanciamento social entre as crianças pequenas, com 23% (31% na região Leste). Já entre aqueles que consideram que o retorno às aulas seria adequado, os motivos mais citados como principal são: “se praticamente todos os setores já retornaram às atividades, as escolas também podem” (17%); “é preciso retomar a normalidade, preservando a saúde mental das crianças” (16%); e escolas fechadas prejudicam os mais pobres e aumenta a desigualdade entre os alunos de escolas públicas e particulares (14%).

A pesquisa perguntou também quem deve ser envolvido nas discussões para a decisão sobre a volta às aulas presenciais na cidade de São Paulo, podendo o entrevistado escolher até 3 opções dentre as apresentadas. O Ministério da Educação é o mais citado com 41% das menções, seguido por Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (35%), um grupo que envolva autoridades e especialistas da educação e da saúde (34%), as escolas, em diálogo com familiares dos alunos (33%), o Governador do Estado de São Paulo (30%) e, as famílias, em diálogo com as escolas (30%).

Com a retomada das aulas presenciais, 82% dos respondentes acreditam que o risco de contaminação por coronavírus para si e sua família vai aumentar (61% acham que vai aumentar muito e 21% que vai aumentar um pouco). A percepção de que o risco de contaminação vai aumentar muito é mais frequente entre os entrevistados com renda até 2 salários mínimos e entre os pais ou responsáveis por crianças matriculadas em escolas ou creches (73% em cada grupo). As mulheres também se sentem mais expostas que os homens em caso de retorno às aulas presenciais: 66% delas acreditam que com isso o risco de ela e a família pegarem coronavírus aumentaria muito, contra 55% entre eles.

Questionados sobre quais grupos de alunos devem ser priorizados para o início da retomada das aulas presenciais, 46% dos participantes da pesquisa respondem que as aulas só deveriam ser retomadas quando todos os estudantes puderem retornar às aulas presenciais ao mesmo tempo (na região Norte da cidade este percentual é de 60%). Por outro lado, 28% acreditam que deveriam priorizar o retorno dos alunos que estão finalizando o ensino médio/ prestando vestibular e 23% que a prioridade deveria ser dos estudantes com menos facilidade de acesso às aulas remotas (na região Oeste, 36% citam esta opção). Nesta pergunta os entrevistados poderiam citar até 3 opções.

Para 69% dos internautas paulistanos um dos maiores desafios para professores e demais profissionais que trabalham na escola após a retomada das aulas presenciais será o risco de contágio na comunidade escolar, devido às dificuldades de manter medidas sanitárias e de distanciamento social (na região Sul a proporção é de 75%). Entres os desafios mais citados também estão: a defasagem entre os alunos que conseguiram acompanhar o ensino remoto e os que não conseguiram (45%), o risco de contágio durante o trajeto para a escola (40% no total e 46% na região Sul), e a superlotação das salas de aulas, tendo em vista a tendência ao aumento de matrículas na rede pública (37% no total e 43% na região Oeste). Em outro patamar também são citadas as dificuldades causadas pelo estado emocional dos estudantes por conta de desafios vividos no período de isolamento social (29%) e dificuldades causadas pelo estado emocional de professores e educadores devido a desafios vividos no isolamento social (27%). Nesta pergunta também era possível escolher até 3 opções de resposta.

No que diz respeito aos maiores impactos para os alunos e alunas causados pela pandemia de Covid-19, 55% consideram que é o aumento da desigualdade, já que os estudantes de famílias mais vulneráveis não tiveram acesso ao ensino remoto (no Centro, 65% citam esta opção e, na região Sul 64%), 44% acham que é a piora no aprendizado, já que o ensino remoto tem qualidade inferior ao presencial (são 51% no Centro da cidade), e 36% acreditam que é a evasão escolar, devido às dificuldades no acompanhamento das aulas. Outras opções são citadas por menos de 20% dos respondentes nesta pergunta em que era possível escolher até 3 itens de resposta.

Trabalho e renda

Considerando apenas os internautas que tinham renda pessoal antes da pandemia, 59% tiveram alguma diminuição na renda nos últimos 30 dias por causa da pandemia, seja total ou parcial. Entre os jovens de 16 a 24 anos, este percentual chega a 72% e na região Norte da cidade a 65%.

Entre quem trabalhava antes da pandemia, 38% tiveram redução na jornada de trabalho ou ficaram temporariamente sem trabalhar nos últimos 30 dias por causa da pandemia. A região da cidade com maior percentual de internautas que declaram queda na jornada de trabalho é o Centro: 50%. Aqueles que foram demitidos por causa da pandemia somam 7% considerando a cidade como um todo.

Dentre os que continuam trabalhando, quase metade (48%) viu sua quantidade de trabalho durante cada jornada diminuir muito ou um pouco nos últimos 30 dias, enquanto 25% dizem estar com a mesma quantidade de trabalho. Entre os internautas com escolaridade até o ensino Médio ou com renda familiar até 2 salários mínimos a redução da quantidade de trabalho chega a 57%, e na região Norte a 55%.

Voltando a falar do total de entrevistados, quando questionados sobre quais mudanças relacionadas ao mundo do trabalho de forma geral, acreditam que "vieram para ficar", 63% citam a adoção do home office como forma principal de trabalhar, 61% apontam a adaptação do comércio para vendas online e 47% a adaptação das lojas físicas no comércio, para evitar contaminação (limpeza do ambiente, controle da quantidade de pessoas, divisórias para evitar contato entre as pessoas, etc.). Na região Sul e no Centro da cidade, a adoção do home office como forma principal de trabalhar recebe 75% e 74% das menções, respectivamente. Nesta questão era possível citar mais de uma opção.

Percepções gerais sobre ciência, cultura, trabalho e eleições

Foram apresentadas algumas frases para que os respondentes informassem o grau de concordância com cada uma delas. Abaixo seguem os percentuais de concordância:

• O investimento em ciência é importante para melhorar, no futuro, as respostas da sociedade a crises como a atual: 91%.

• Acredito que a cultura e o entretenimento são grandes aliados para manter a saúde mental na pandemia: 89%.

• A pandemia ajudou a aumentar a precarização do trabalho (trabalho sem carteira assinada, sem garantias, com jornadas muito longas, etc.): 77%.

• Durante a pandemia eu vi, assisti, li ou acessei conteúdos culturais que eu não costumava acessar antes da pandemia: 67%.

• A pandemia vai prejudicar a campanha eleitoral deste ano e por isso vai ser mais difícil escolher um candidato para prefeito: 42%.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

Viver em São Paulo – Especial Pandemia

Margem de erro

3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Tema

Educação

Internet

Opinião pública

Saúde

Contratante

Rede Nossa São Paulo

Período

22/08/2020 a 31/08/2020

Local

Brasil

Amostra

800 entrevistas

ARQUIVO(S) PARA DOWNLOAD
Apresentação da pesquisa
Pesquisa completa
Viver em São Paulo – Especial Pandemia - parte 4