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10 Jun 2020

O que pensam os internautas paulistanos e paulistanas sobre os impactos do coronavírus

A segunda rodada da pesquisa “Viver em São Paulo: Especial Pandemia”, realizada pelo IBOPE Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo, traz dados sobre a experiência da pandemia de coronavírus e do isolamento social entre os internautas das classes A, B e C da capital paulista.

Principais resultados

Durante a pandemia, metade dos entrevistados tiveram algum atendimento médico adiado, cancelado ou recusado, como consultas, cirurgias, exames ou tratamentos.

Cerca de três em cada cinco respondentes passariam a sair menos de casa e ficariam o mais isolados possível se recebessem informações oficiais de que o seu bairro ou a sua rua tem altas taxas de contaminação e mortes por causa da Covid-19.

Avaliação de medidas adotadas por agentes públicos

De forma geral, comparada à primeira rodada da pesquisa, realizada em abril, todos os agentes públicos apresentam queda no percentual de respondentes que consideram que suas medidas foram adequadas para combater os impactos da pandemia de coronavírus. O Ministro da Saúde, o Governador de São Paulo e o Prefeito da capital paulista, apesar de continuarem sendo os agentes cujas medidas são tidas como mais adequadas, apresentam também as maiores quedas nestas respostas, de 71% para 53%; de 68% para 51% e; de 68% para 51%, respectivamente.

Quase um terço dos entrevistados (31%) não sabe opinar sobre as medidas adotadas pelos Vereadores e pelos Deputados Estaduais para combater a pandemia (na rodada anterior eram respectivamente 39% e 34%). Quanto às medidas adotadas pelo Presidente da República a maior parte dos respondentes (66%) consideram que não foram adequadas para o combate à pandemia (eram 57% em abril). Entre os internautas residentes na região Oeste da cidade este percentual chega a 78% e no Centro a 77%.

Vivendo a pandemia

Para 51% dos internautas paulistanos a principal preocupação em relação à pandemia para a vida pessoal é a saúde de seus familiares, enquanto para 14% é a própria saúde. Já as preocupações econômicas aparecem no medo de ficar desempregado (16%) e em ter a renda diminuída/perder clientes ou ter prejuízos financeiros (9%). Em comparação à rodada anterior as diferenças ficam dentro da margem de erro da pesquisa. No que diz respeito à principal preocupação para o Brasil de forma geral, 51% temem um colapso/superlotação do sistema de saúde e 27% a economia do país piorar. Na região Norte de São Paulo, a preocupação com a piora da economia do país chega a 36%.

Dentre algumas opções de ações pessoais adotadas para que os impactos da pandemia sejam os menores possíveis, a grande maioria (78%) diz que está evitando sair de casa, 47% estão rezando/orando/tendo fé, 36% estão comprando mais coisas pela internet, aplicativos ou telefone para não ter que sair de casa e 31% adquirindo produtos ou serviços de produtores pequenos/locais.

Se recebessem informações oficiais durante este período de isolamento de que o seu bairro ou até a sua rua tem altas taxas de contaminação e mortes por causa da Covid-19/coronavírus, 57% dos respondentes passariam a sair menos de casa para ficar o mais isolado possível (na região Leste são 65%) e 40% não mudariam a rotina pois já estão fazendo o máximo possível para ficarem isolados (são 49% na região Sul da cidade).

Sobre as principais dificuldades que têm enfrentado na rotina em casa por causa das restrições impostas pela pandemia de coronavírus, 26% citam a vizinhança barulhenta, 20% a solidão (no Centro são 30%) e 19% dizem que é conciliar trabalho profissional com atividades domésticas (na faixa de renda familiar acima de 5 salários mínimos este percentual é de 34%, na região Oeste 30% e na classe AB 27%).

Durante a pandemia, 49% dos entrevistados tiveram algum atendimento médico adiado, cancelado ou recusado, como consultas, cirurgias, exames ou tratamentos. Entre os moradores do Centro da cidade este percentual chega a 60% e entre as mulheres a 57%.

Convidados a eleger as três coisas que mais sentem falta da vida antes do isolamento social, o contato físico com pessoas próximas (44%) e encontrar as pessoas sem restrições (43%) são as opções mais citadas (eram 39% e 37% na rodada passada, respectivamente). Frequentar o comércio, feiras, restaurantes, bares e shoppings é mencionada por 38% dos respondentes e havia sido a resposta mais citada em abril (por 42%). Entre os internautas do Centro é maior o percentual daqueles que sentem falta de circular pelas ruas da cidade (37%, contra 23% no total). Já aqueles que residem na região Oeste destacam-se por serem os que mais sentem falta de encontrar as pessoas sem restrições (54%) e de viajar para outras cidades (25%, contra 19% no total da amostra).

Tratando-se das principais mudanças causadas pela pandemia e pelo isolamento social na relação com o bairro onde moram, 46% respondem que passaram a dar mais valor ao comércio e aos prestadores de serviços locais. Em outro patamar, 30% passaram a prestar mais atenção aos serviços públicos disponíveis e aos que faltam no meu bairro e 27% conheceram ou compraram em estabelecimentos comerciais que não conheciam antes.

Se a pandemia e o isolamento social se estenderem por mais vários meses, a falta de convivência com familiares ou amigos por tanto tempo (44%) e não conseguir tratamento médico para doenças não relacionadas ao coronavírus (41%) são as opções mais citadas pelos internautas paulistanos como as principais preocupações a longo prazo. Para um terço dos respondentes (34%) perder o emprego seria uma das principais preocupações. Entre os moradores do Centro as menções à falta de convivência com familiares ou amigos por tanto tempo chega a 53%.

Consultados sobre o que o poder público deveria fazer para aumentar a taxa de isolamento social na cidade de São Paulo, as opções mais citadas são a garantia de emprego e/ou renda para que as pessoas não precisem sair para trabalhar (46%), aumentar a fiscalização de estabelecimentos comerciais que abrirem sem autorização (40%) e restringir a circulação de pessoas nas ruas apenas para atividades essenciais (39%). Esta última opção chega a ter 49% das menções dos moradores do Centro da cidade.

Compromissos financeiros

Apesar de 83% dos internautas pesquisados não terem empregada doméstica ou diarista, entre a outra parcela que tem: 40% dispensaram e estão pagando um valor menor, 32% dispensaram e continuam pagando o mesmo valor, 18% dispensaram e não estão pagando e 11% não dispensaram.

Os respondentes foram questionados sobre como administraram o pagamento de alguns serviços nos últimos 30 dias e, sempre considerando apenas a base daqueles que têm cada serviço/compromisso financeiro, destacamos que: 24% não pagaram a academia/atividade física e 22% cancelaram o contrato; 20% não pagaram escola particular e 18% pagaram em dia o valor renegociado; 17% não pagaram financiamento de imóvel; 17% não pagaram empréstimos. Vemos também que 27% atrasaram o pagamento de alguma conta de consumo como energia, água e esgoto ou gás; 24% atrasaram o pagamento da internet fixa; 21% pagaram com atraso o financiamento de automóvel. A taxa de condomínio, o IPTU e o plano de saúde foram as contas que menos sofreram atraso ou inadimplência entre os internautas paulistanos de classe ABC nos últimos 30 dias.

Depois que a pandemia passar

Quanto aos hábitos ou cuidados adquiridos por causa da pandemia que pretendem manter na rotina depois que ela passar e o isolamento não for mais necessário, 51% citam poupar mais dinheiro para se prevenir de outras crises, e 47% pretendem higienizar todos os produtos que comprarem. O uso de máscara deve continuar na rotina de 41% dos internautas paulistanos quando estes estiverem doentes para evitar contaminar outras pessoas e de 36% quando estiverem em lugares públicos ou com aglomerações para se prevenirem de doenças. Na região Sul destacam-se as menções sobre poupar dinheiro para se proteger de outras crises (63%) e no uso de máscara quando estiver doente (48%); no Centro destaca-se também o uso de máscara para não contaminar outras pessoas (51%).

Por causa da pandemia, 38% dos entrevistados pretendem se deslocar mais a pé depois que a pandemia passar e o isolamento não for mais necessário, e 20% pretendem usar mais a bicicleta no dia-a-dia. Por outro lado, 26% pretendem usar menos o ônibus e 24% querem diminuir o uso de trem/metrô nos deslocamentos cotidianos. Entre os moradores do Centro, 38% querem usar menos ônibus e 37% menos trem/metrô; já entre os moradores da região Sul, 33% querem usar menos ônibus e 30% menos trem/metrô depois que a pandemia passar.

Percepções gerais sobre saúde, política e relaxamento do isolamento social

Foram apresentadas algumas frases para que os respondentes apontassem o grau de concordância com cada uma delas. Abaixo seguem os percentuais de concordância (total ou parcial):

  • A pandemia deixou claro que a cidade de São Paulo precisa investir na redução das desigualdades: 87%.
  • Os leitos de UTI particulares para tratar a COVID-19 deveriam ser disponibilizados para a população em geral: 83%.
  • É possível salvar vidas e também proteger a economia do país durante a pandemia, desde que as medidas tomadas sejam bem planejadas: 83%
  • A polarização política no Brasil está prejudicando o combate à pandemia de coronavírus: 81%.
  • As trocas de Ministros da Saúde prejudicam o combate ao coronavírus: 78%.
  • Após a pandemia, a cidade de São Paulo deve investir mais em um sistema de transporte que priorize deslocamentos de bicicleta e a pé: 70%.
  • Os serviços particulares de saúde da cidade de São Paulo estão preparados para atender pacientes infectados pelo coronavírus: 51% (eram 57% em abril).
  • As eleições municipais devem ser mantidas esse ano, mas com adaptações para garantir a segurança de todos: 49%.
  • Os serviços públicos de saúde da cidade de São Paulo estão preparados para atender pacientes infectados pelo coronavírus: 40% (eram 49% em abril).
  • A cidade de São Paulo deve reabrir o comércio imediatamente, mesmo correndo o risco de uma nova onda de contágio de coronavírus: 33%.
  • Já está na hora de relaxar o isolamento social na cidade de São Paulo, pois o pior da pandemia já passou: 24%.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

Viver em São Paulo - Especial Pandemia

Margem de erro

3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Tema

Opinião pública

Saúde

Contratante

Rede Nossa São Paulo

Período

21/05/2020 a 01/06/2020

Local

Brasil

Amostra

800 entrevistas

ARQUIVO(S) PARA DOWNLOAD
Viver em São Paulo - Especial Pandemia - parte 2
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