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07 Jul 2020

EPICOVID19-BR divulga novos resultados sobre o coronavírus no Brasil

O estudo EPICOVID19-BR, que mapeia a epidemiologia do coronavírus no Brasil, concluiu as três fases previstas no cronograma original. A primeira fase foi realizada entre os dias 14 e 21 de maio, totalizando 25.025 entrevistas e testes. A segunda fase realizou-se entre os dias 04 e 07 de junho, tendo sido conduzidas 31.165 entrevistas e testes. A terceira fase ocorreu entre os dias 21 e 24 de junho, totalizando 33.207 entrevistas e testes. Somando as três fases da pesquisa, trata-se do estudo epidemiológico com maior número de indivíduos testados do mundo para o coronavírus, com uma amostra total de 89.397 pessoas entrevistadas e testadas. 

O estudo é realizado em 133 cidades, espalhadas por todos os estados do Brasil. Na primeira fase, foi possível completar 200 ou mais das 250 entrevistas e testes previstas em 90 das 133 cidades. Na segunda fase, 200 ou mais entrevistas e testes foram obtidos em 120 das 133 cidades. Na terceira fase, foi possível realizar 200 ou mais entrevistas e testes em todas as 133 cidades participantes da pesquisa.    

 

O EPICOVID19-BR é um estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas. O financiamento para a pesquisa foi do Ministério da Saúde. O estudo contou também com apoio do Instituto Serrapilheira, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), da Pastoral da Criança, e contou com doação do programa da JBS Fazer o Bem Faz Bem. A coleta de dados foi de responsabilidade do IBOPE Inteligência. 

A pesquisa traz resposta a dez questões científicas relevantes sobre o coronavírus no Brasil: 
1) Qual a proporção da população com anticorpos para o novo coronavírus, ou seja, que tem ou já tiveram contato com o vírus?  

2) Qual a velocidade de expansão do coronavírus, por meio da comparação das fases 1, 2 e 3, intercaladas por duas semanas entre si? 

3) Qual a proporção das pessoas com anticorpos que não apresentaram nenhum sintoma?  

4) Entre as pessoas com anticorpos, e que apresentaram sintomas, quais foram os sintomas mais frequentes?  

5) Qual a letalidade da infecção, ou seja, entre o total de pessoas infectadas pelo vírus, qual proporção acaba indo a óbito? 

6) Quais as diferenças na evolução do coronavírus entre as regiões do Brasil?  

7) Há maior proporção de pessoas com anticorpos em subgrupos de sexo, idade, cor da pele e nível socioeconômico?  

 8) Qual a diferença entre o número de casos notificados nos sistemas de vigilância e o total de pessoas com anticorpos estimado pela pesquisa? 

9) Em havendo uma pessoa positiva no domicílio, qual o percentual de coabitantes que também terão um resultado positivo para o coronavírus?  

10) Qual o grau de adesão da população brasileira às recomendações de distanciamento social e como esse percentual muda ao longo do tempo?  


Para fins de análise da evolução da proporção da população com anticorpos para o coronavírus, foram analisados os dados das 83 cidades nas quais foi possível obter 200 ou mais entrevistas e testes em todas as três fases da pesquisa. No conjunto dessas cidades, já levando em consideração a taxa de falsos positivos e falsos negativos do teste rápido utilizado, o percentual da população com anticorpos foi de 1,9% (1,7% a 2,1% pela margem de erro) na primeira fase, 3,1% (2,8% a 3,4% pela margem de erro) na segunda fase e 3,8% (3,5% a 4,2% pela margem de erro) na terceira fase da pesquisa. O aumento da primeira para a segunda fase foi de 53% e da segunda para a terceira fase foi de 23%.

 

Somadas as três fases da pesquisa, foram identificadas 2.064 pessoas com anticorpos, significando que tem ou já tiveram infecção pelo coronavírus. Dessas, apenas 9% não relataram qualquer sintoma, sendo classificadas como assintomáticas. Entre as pessoas que relataram sintomas, os cinco que foram relatados por mais da metade das pessoas com anticorpos foram: febre, tosse, alteração de olfato/paladar, dor no corpo e dor de cabeça. 

A letalidade da infecção pelo coronavírus foi calculada pela divisão do número de óbitos pelo número de infectados. Os óbitos por COVID-19 foram obtidos de estatísticas oficiais no dia 20 de junho, nas 133 cidades incluídas na pesquisa. O número de infectados foi calculado pela proporção de pessoas com resultado positivo no teste (com correção para validade do teste e delineamento amostral) nas cidades, multiplicado pela soma da população das 133 cidades. Esse cálculo resultou numa letalidade de 1,15%, podendo variar de 1,05% a 1,25% pela margem de erro. Em resumo, de cada 100 pessoas que têm o vírus, uma acaba indo a óbito.

As diferenças por regiões foram marcantes. Na primeira fase, de 14 a 21 de maio, nenhuma região do Brasil, exceto o Norte, apresentava percentual da população com anticorpos superior a 1%. Nas fases subsequentes, o Norte manteve os percentuais mais elevados, mas chamou atenção o crescimento acelerado no Nordeste, e tendências de crescimento também no Sudeste e no Centro-Oeste. Por outro lado, na Região Norte não houve diferença entre os resultados da segunda e da terceira fases da pesquisa, indicando uma possível desaceleração da pandemia naquela região. 


O percentual da população com anticorpos não diferiu entre homens e mulheres em nenhuma das fases da pesquisa. Da mesma forma, não foi observada uma tendência nítida por idade, confirmando que o risco de infecção não depende da idade. Deve-se ressaltar, no entanto, que embora não haja diferença no risco de contrair a infecção entre homens e mulheres ou por grupos de idade, a severidade da COVID-19 tende a ser maior nos grupos etários mais avançados, conforme a literatura.
Em relação ao nível socioeconômico, nas três fases da pesquisa, houve uma tendência linear de maior proporção da população com anticorpos conforme diminui o nível socioeconômico. Além disso, a diferença entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos aumentou de 1,1 ponto percentual na primeira fase, para 2,0 pontos percentuais na segunda fase e 2,3 pontos percentuais na terceira fase.

 

Em relação à cor da pele autorrelatada, houve maior proporção com anticorpos entre as populações indígenas em comparação aos demais grupos étnicos. A população que se autodeclarou branca foi a que apresentou menor proporção de exposição ao vírus. Ressalte-se que o estudo não incluiu populações aldeadas. 
 
A diferença entre o número de casos notificados e o número de pessoas com anticorpos estimado pela pesquisa manteve-se estável ao longo das três fases do estudo. Na primeira fase, a magnitude dessa diferença foi de 7x, tendo variado levemente para 6x na segunda e na terceira fases do estudo. Em cada fase, esse cálculo foi obtido da seguinte forma: divisão do número estimado de pessoas com anticorpos nas cidades pelo número de casos notificados nas mesmas cidades no dia imediatamente anterior ao início da coleta de dados.
 
A pesquisa testou todos os moradores das casas nas quais a pessoa sorteada para o estudo teve um teste positivo. No somatório das três fases da pesquisa, foram testadas 2.583 pessoas, das quais 39% tiveram testes positivos. 
O EPICOVID19-BR também avaliou a adesão da população as recomendações de distanciamento social. O percentual das pessoas que relatou sair de casa diariamente aumentou de 20,2% na fase 1 (14-21 de março) para 23,2% na fase 2 (04 a 07 de junho) e para 26,2% na fase 3 (21 a 24 de junho). No outro extremo, o percentual de pessoas que relatou ficar em cada todo o tempo diminuiu de 23,1% na fase 1 para 20,5% na fase 2 e para 18,9% na fase 3. 


O arquivo disponível para download abaixo apresenta os resultados descritivos dos testes realizados nas três fases da pesquisa. São apresentados: (a) o número de testes realizados, por fase, em cada cidade; (b) o número de testes positivos, em cada fase e cidade; (c) o percentual bruto da população com anticorpos, resultado da simples divisão do número de positivos pelo número de testados; (d) o percentual da população com anticorpos, levando em consideração os indicadores de validade (sensibilidade e especificidade) do teste rápido utilizado. 
 

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

EPICOVID19-BR

Margem de erro

-

Tema

Administração pública

Saúde

Contratante

Universidade Federal de Pelotas

Período

21/06/2020 a 24/06/2020

Local

Brasil

Amostra

89.397 pessoas entrevistadas e testadas

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