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10 Ago 2016

Quanto pior a expectativa do consumidor, mais garrafas de cachaças são vendidas, mostra PeopleScope

Beber para esquecer. É o que muitos brasileiros fizeram durante os últimos meses, enquanto o país vive uma crise econômica. Uma análise do IBOPE DTM, unidade de marketing de relacionamento e big data do IBOPE Inteligência, e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), feita pelo PeopleScope – maior base com dados comportamentais dos brasileiros, revela que quanto menor a expectativa do consumidor, medida mensalmente pelo IBOPE Inteligência e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) por meio do Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), mais garrafas de cachaça foram vendidas em três redes varejistas.

Batizado de Índice da Cachaça, o indicador revela que em dezembro de 2015, quando o INEC acumulava queda de 11,8% em relação ao mesmo período do ano anterior e estava 12,2% abaixo de sua média histórica, as vendas de garrafa de cachaça chegaram ao seu maior nível.

                 

“Esse é um fenômeno similar ao que aconteceu durante a recessão nos Estados Unidos, no início dos anos 2000, que foi chamado por Leonard Lauder de Índice do Batom. Ele percebeu que as vendas de batom dispararam, pois em tempos de incerteza financeira, em vez das consumidoras comprarem um artigo de luxo de maior custo que lhes proporcionasse uma sensação de bem estar, optaram por produtos mais baratos, como os cosméticos, que lhes deixavam atraentes e proporcionavam bem estar”, diz Bernardo Canedo, diretor do IBOPE DTM.

Capaz de segmentar a população brasileira em 13 macrossegmentos e 42 segmentos, o PeopleScope mostra, por meio do Índice da Cachaça, que, de maneira geral, quanto mais pessimista é um grupo social, maior é sua afinidade com “sair para beber/ir a bares restaurantes”.

As maiores correlações foram verificadas nos grupos elite metropolitana, legado estabelecido e vivendo em mansões. No primeiro grupo, caracterizado por domicílios com uma das maiores rendas médias dentre todos os segmentos e composto principalmente por famílias pequenas que, em sua maioria, residem em apartamentos localizados em bairros nobres das principais cidades brasileiras, o alto índice de pessimismo indicado pelo INEC se reverte proporcionalmente na segunda maior afinidade com ‘sair para beber/ir a bares e restaurante”.

Outro grupo bastante propenso a ir a bares ou sair para beber, o vivendo em mansões, segmento que possui a maior quantidade de leitores de jornais dominicais do país e a maior proporção de domicílios com empregadas domésticas, tem a segunda pior expectativa em relação a inflação, desemprego e renda pessoal, dentre os grupos sociais analisados.

Entre a população conhecida como legado estabelecido, que se caracteriza por uma alta proporção de idosos que vivem em apartamentos com um ou dois moradores nos bairros mais nobres e tradicionais das grandes metrópoles brasileiras e que tem a segunda confiança mais baixa nas questões econômicas do país, possui a maior propensão a sair para beber ou ir a bares e restaurantes.
                 

A análise do IBOPE DTM revela ainda que bebidas alcóolicas, junto com frutas, legumes e verduras, foram os únicos, dentre sete categorias de produtos vendidos em mercado, que tiveram aumento no desembolso do brasileiro na comparação de 2015 com 2014. “O aperto financeiro nos últimos anos no país obrigou o brasileiro a ajustar seus gastos, mas alguns itens quase sempre observam um aumento no ticket médio, ajustado pela inflação no período”, explica Roque Pellizzaro, presidente do SPC Brasil.

Enquanto a quantidade de itens comprados caiu 4,6%, o valor médio gasto com alcoólicos subiu 1,1% e a ida ao mercado para comprá-los aumentou 4,4%.