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18 Jul 2019

Para população paulistana, política de habitação e capacitação profissional são prioridade para melhorar as condições das pessoas em situação de rua

Medidas que devem ser prioritárias para administração municipal em relação à população em situação de rua, para combater a violência doméstica e contras as mulheres e voltadas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade são algumas das questões abordadas na pesquisa “Viver em São Paulo: Assistência Social”, realizada pelo IBOPE Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo.

Pessoas em situação de rua

“Capacitação profissional” e “transformação de prédios desocupados com dívidas de IPTU em moradias” passam a ser as principais ações a serem adotadas pela administração municipal para melhorar as condições das pessoas em situação de rua, sendo mencionadas por 34% e 33% das pessoas entrevistadas respectivamente.

Já “ampliar os Centro de Acolhida” é citada por 27% da população paulistana e “desenvolver políticas públicas de moradia para essa população” por 25%; e “ampliar a rede de atendimento socioassistencial” e “criar medidas que incentivem a contratação dessas pessoas por empresas e comércios” (ambas com 22%);

Seguidas de “ampliar as Unidades de Atendimento Diário Emergencial (ATENDE)” e “dar incentivos fiscais e apoio técnico para empresas e comércios que ajudem fazendo doações ou prestando serviços” (ambas com 17%); “não permitir pessoas morando nas ruas, obrigando que todos encontrem um local para morar” (16%); “intensificar a limpeza da cidade e dos colais públicos com presença de pessoas em situação de rua” e “financiar os custos de viagem para aqueles que gostariam de voltar para suas cidades de origem” (ambas com 15%); “incentivar a população a criar projeto voluntários” (13%); “intensificar a política de recolhimento de cobertores, roupas e outros itens que pertencem a esta população”  e “criar prêmios para reconhecer projetos voluntários” (ambas com 6%).

Crianças e adolescentes

Há um consenso sobre a importância da Educação como forma de proteger crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e sobre a necessidade do fomento ao primeiro emprego para jovens como forma de garantir oportunidades.

Essa visão corrobora com o crescimento de opiniões contrárias às ideias que atrelam crianças e adolescentes a responsabilidades que cabem somente aos adultos (trabalhar e cuidar de crianças menores, por exemplo); e com a rejeição ao uso da “palmada” como método acessório à educação e formação de crianças e adolescentes. No entanto, há maior discordância em relação às medidas socioeducativas como forma de punição de crianças e adolescentes que desrespeitarem as leis.

72% concordam totalmente que “Políticas de estímulo ao primeiro emprego, como a lei do aprendiz, garantem mais oportunidades para os jovens”. Já 20% concordam em parte; 4% discordam em parte; e 3% discordam totalmente. Somado a isso, 62% concordam totalmente que “ampliar a oferta do ensino em tempo integral afasta crianças e adolescentes de situações de vulnerabilidade social”; e 23% concordam em parte. Enquanto 7% discorda em parte e 6% discorda totalmente.

Além disso, 45% discordam totalmente que “é aceitável que crianças sejam responsáveis por tarefas domésticas, como cuidar de outras crianças” e 20% discordam em parte. Já 23% concordam em parte e apenas 11% concordam totalmente.

Ainda, 69% discordam totalmente da afirmação “trabalhar é mais importante para formação das crianças do que o estudo” e 17% discordam em parte. Enquanto apenas 5% concordam totalmente e 8% concordam em parte.

A maioria das paulistanas e paulistanos consideram que “medidas socioeducativas são a melhor alternativa para as crianças e adolescentes que desrespeitaram as leis” – 41% concordam totalmente e 31% concordam em parte. Enquanto 14% discordam em parte e 11% discordam totalmente.

62% concordam de alguma forma que “a ‘palmada’ contribui para a educação e formação das crianças e adolescentes (31% concordam totalmente e 31% concordam em parte). Em contrapartida, 36% discordam (24% discordam totalmente e 12% discordam em parte).

Violência doméstica e familiar

A ampliação das penas a quem comete violência contra a mulher continua considerada como prioritária no combate à violência doméstica e familiar (51%). Entre as mulheres entrevistadas, 58% apontam este item como prioridade e entre os homens 43%.

Para 43% a prioridade é “agilizar o andamento da investigação das denúncias”; para 37% é “ampliar os serviços de proteção de mulheres em situação de violência em todas as regiões da cidade”; e para 34% é “criar novas leis de proteção à mulher”.

Reforçando a importância do atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, para 26%, a prioridade deveria ser “treinar os funcionários para que possam acolher as mulheres que procuram os canais de denúncia”. Entre as mulheres este índice é de 30% e entre os homens de 21%.

Já “fortalecer os serviços de assistência social em todas as regiões” é prioridade para 21% da população paulistana; “melhorar a atuação dos canais de denúncias” para 20%; “promover campanhas de conscientização” para 19%; “criar políticas de segurança comunitária, aproximando a população dos agentes de segurança” para 17%; e “divulgar mais os canais de denúncias” para 15%.

Assim, observamos que paulistanas e paulistanos seguem optando por alternativas que aumentem a punição daqueles que cometem violência doméstica e/ou familiar contra as mulheres e ainda esperam que haja uma investigação mais rápida desses casos.

Para as mulheres, particularmente, elas demandam também um treinamento humanizador e um melhor acolhimento nos canais de denúncia.

Renda básica e assistência social

A maioria das paulistanas e paulistanos segue a favor da proposta de Renda Básica de Cidadania para qualquer pessoa que resida há pelo menos 5 anos na cidade (57%). Desse grupo, destacam-se quem tem ensino fundamental (72%); que possuem renda familiar mensal até 2 S.M. (71%); que se autodeclaram pretos(as) ou pardos(as) (67%); e pertencentes à classe C (65%). Porém, no total, 23% afirmam ser contra e 20% não sabem/ não responderam.

Em relação à proposta de corte de verbas para a assistência social na cidade de São Paulo, cerca de ¾ das pessoas entrevistadas discordam de alguma forma da proposta – 52% discordam totalmente e 21% discordam em parte. Apenas 7% concordam totalmente e 16% concordam em parte.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

Viver em São Paulo: Assistência Social

Margem de erro

3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Tema

Administração pública

Opinião pública

Contratante

REDE NOSSA SÃO PAULO

Período

03/04/2019 a 23/04/2019

Local

Brasil

Amostra

800 entrevistas

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Viver em São Paulo: Assistência Social
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