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28 Jun 2019

Cerca de sete em cada dez paulistanxs consideram que a administração municipal faz pouco ou nada no combate à violência contra pessoas LGBTQI+

A pesquisa “Viver em São Paulo: Direitos LGBTQI+”, realizada pelo IBOPE Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo traz dados sobre a percepção de paulistanas e paulistanos em relação à vida das populações LGBTQI+ na cidade de São Paulo.

O levantamento aponta uma queda de 10 pontos percentuais na percepção da população paulistana de que São Paulo é uma cidade tolerante com a população LGBTQI+. Em 2018, o percentual de pessoas que classificava a cidade como tolerante com pessoas LGBTQI+ era de 50%; em 2019, esse número baixou para 40%. Somado a isso, houve uma queda significativa na nota média de avaliação da tolerância na cidade – de 6,3 para 5,9 – na escala de 1 a 10, sendo que 1 significa “totalmente intolerante” e 10 significa “totalmente tolerante”. Já 26% das pessoas entrevistadas classificam São Paulo como uma cidade intolerante (notas de 1 a 4) em relação à população LGBTQI+. As pessoas mais jovens, que têm entre 16 e 24 anos, são as que mais consideram a cidade intolerante (33%).

Em relação à atuação da administração municipal no combate à violência contra a população LGBTQI+, 25% dxs paulistanxs afirmam que a administração municipal não faz “nada” e 43% consideram que “faz pouco”. Ou seja, para quase 70% da população paulistana a administração municipal faz nada ou pouco no combate à violência contra pessoas LGBTQI+. Apenas 10% das pessoas entrevistadas consideram que a administração municipal “faz muito” no combate à violência contra a população LGBTQI+. Ainda nesta questão, 22% não sabem ou não responderam.

Enquanto os moradores da região leste são mais críticos em relação à atuação da gestão municipal no que diz respeito ao combate à violência contra a população LGBTQI+ (31% responderam “nada” e 36% responderam “pouco”), aqueles que moram nas regiões norte e centro são os que mais dizem que muito tem sido feito (14% e 18%, respectivamente). Analisando por segmentos, as pessoas com ensino fundamental, mais pobres e da classe C são as que mais avaliam negativamente a gestão municipal nesse aspecto (31%, 30% e 29% respectivamente).

A pesquisa também revela que seis em cada dez paulistanos e paulistanas consideram importante a elaboração e implementação de políticas públicas municipais que promovam a igualdade de direitos para a população LGBTQI+. Para 29% é “muito importante” e para 31% “importante”. Já 14% afirmam ser “pouco importante”; 11% “nada importante”; e 15% não sabem ou não responderam.

Mais da metade da população paulistana apoia a criação de uma lei que criminalize a LGBTfobia (55%). Entre as pessoas favoráveis, os segmentos que se destacam são mulheres, pessoas mais jovens, quem se autodeclara brancx, aquelxs que têm maior renda familiar mensal (acima de 5 salários mínimos), xs mais escolarizadxs e xs que pertencem à classe B. Já entre as pessoas contrárias à criminalização da LGBTfobia (22%), destacam-se homens (27%) e pessoas com idade entre 35 e 44 anos (27%). Entre quem não sabe ou não responde (23%), cabe destacar quem tem ensino fundamental (35%); xs evangélicxs/protestantes (33%); quem possui renda familiar mensal de até dois salários mínimos (29%); e xs mais velhxs (28%).

O levantamento aponta ainda que em torno de quatro em cada dez pessoas entrevistadas declaram ter sofrido ou presenciado alguma situação de preconceito por causa da orientação sexual ou identidade de gênero nos espaços públicos e transporte público, seguidos de escola/faculdade (32%), shoppings e comércios e bares e restaurantes (31%), trabalho (30%), família (28%) e banheiros públicos e de estabelecimentos privados (23%).

Os Espaços públicos são os locais onde xs entrevistadxs dizem mais ter sofrido ou presenciado situações de preconceito por orientação sexual ou identidade de gênero em todas as regiões de São Paulo: 51% no centro; 44% na zona oeste; 41% na região norte; 35% na leste; e 36% na região sul.

Ao traçar o perfil das pessoas que sofreram ou presenciaram tais situações em todos os locais avaliados, observa-se que são: mulheres pretas/pardas, que têm entre 16 e 24 anos e entre 35 e 44 anos; com escolaridade média; que possuem renda familiar mensal de até 2 salários mínimos; da classe C; e que moram na região Leste.

A pesquisa revela ainda que 26% da população paulistana não se informa sobre os direitos LGBTQI+. Entre as pessoas que afirmam se informar, a televisão é a fonte mais citada (30%), seguida de sites de notícias e portais (27%) e mídias sociais (25%). Os dados indicam que as pessoas que não se informam sobre os direitos da população LGBTQI+ tendem a ser mais contrárias à lei que criminaliza a LGBTfobia: cerca de quatro em cada dez são contra.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

Viver em São Paulo: Direitos LGBTQI+

Margem de erro

3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Tema

Administração pública

Opinião pública

Segurança

Contratante

REDE NOSSA SÃO PAULO

Período

03/04/2019 a 23/04/2019

Local

Brasil

Amostra

800 entrevistas.

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Pesquisa completa
Apresentação da pesquisa