Notícias e Pesquisas

22 Jan 2019

64% dos paulistanos não lembram o nome do vereador em que votaram em 2016

Um dos resultados da pesquisa “Qualidade de Vida” chamou a atenção do professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando Abrucio: 64% da população paulistana não lembra em quem votou para vereador em 2016, 34% se recorda e 2% não sabe ou não respondeu.

“É impossível mudar as instituições públicas em São Paulo, enquanto dois terços dos eleitores não lembrarem em quem votou nas últimas eleições”, disparou o professor no debate realizado na sequência da apresentação dos dados do levantamento.

Promovido pela Rede Nossa São Paulo e IBOPE Inteligência, em pareceria com o Sesc São Paulo, o evento contou com as participações do presidente do Tribunal de Contas do Município (TCM), João Antonio, e da cientista política e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER), Ana Carolina Evangelista.

Além de destacar a importância do voto como instrumento de mudança, Fernando Abrucio defendeu a necessidade de melhorar a qualidade das políticas públicas. “Se a gente quer ter uma boa sociedade, tem que ter bons serviços públicos”, argumentou.

E para que isso ocorra, segundo ele, a administração municipal precisa olhar o que está sendo feito, e dando certo, em outros lugares do mundo. “Se a gente não melhorar as políticas públicas, em saúde e educação, por exemplo, a população irá para o populismo mesmo”, alertou o professor.

Os resultados da pesquisa “Qualidade de Vida” mostram que 56% da população considera a atuação da administração municipal na saúde “ruim ou péssima”. Apenas 7% dizem que é “boa ou ótima”, enquanto 34% assinala “regular”.

Além disso, a percepção dos pesquisados é que o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias na rede pública de saúde aumentou em relação ao levantamento anterior.

A educação, também registra avaliação negativa: 51% dos paulistanos dizem que a atuação da administração municipal nessa área é “ruim ou péssima”, 33% consideram “regular” e apenas 13% assinalam “ótima ou boa”.

A outra participante do debate, Ana Carolina Evangelista, fez uma análise de um dos itens do perfil da amostra, segundo o qual: 40% dos entrevistados afirmam ser católicos, 24% se dizem evangélicos ou protestantes, 24% ateus ou não responderam e 13% são de outras religiões.

Pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER), ela ressaltou o crescimento da população evangélica e pentecostal no Brasil e previu que, em 2025, haverá uma inversão, ou seja, o país terá mais evangélicos do que católicos.

Ana Carolina explicou que a população evangélica é muito heterogênica, as igrejas são diversas e nem todas são conservadoras. Em sua avaliação, é fundamental olhar o mundo evangélico com menos estigma e generalizações. “Precisamos produzir mais informações sobre o mundo evangélico, conhecer suas nuances, para poder dialogar com essa população”, ponderou.

Acesse aqui a pesquisa Qualidade de Vida em São Paulo 2019