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14 Mar 2019

52% das mulheres já sofreram assédio e um terço das mães cuida sozinha dos filhos em São Paulo

A pesquisa “Viver em São Paulo: Mulher e a Cidade”, realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o IBOPE Inteligência, traz dados sobre a qualidade de vida das mulheres na capital paulista e evidencia a desigualdade de gênero na cidade.

De acordo com o estudo, 52% das mulheres declaram já ter sofrido algum tipo de assédio, sendo 38% delas dentro de transporte coletivo – um aumento de 13% em relação a 2018. Tal crescimento não significa, necessariamente, que o número de assédios em transporte coletivo tenha aumentado. Mas indica uma provável tomada de consciência em relação às diferentes formas de violências e assédios que as mulheres sofrem, como consequência de uma maior visibilidade de casos por meio das mídias sociais e de notícias de jornal, principalmente.

A pesquisa também revela que 44% das paulistanas acreditam correr mais risco de sofrer algum tipo de assédio no transporte público e 23%, nas ruas.

A pesquisa “Viver em São Paulo: Mulher e a Cidade” indica que 24% das mulheres declaram ter sofrido algum tipo de preconceito ou discriminação no ambiente de trabalho por ser mulher, o que significa um aumento de 5% em relação ao ano anterior. Entre essas, 30% têm entre 16 e 34 anos e 35% têm ensino superior completo.

Assim como nos casos de assédio em transportes públicos, esse dado não indica, necessariamente, um aumento no número de casos de preconceito ou discriminação no ambiente de trabalho. Com a maior visibilidade e alcance de assuntos relacionados à violência contra a mulher, esse número pode significar que as mulheres tenham mais elementos e informação para identificar os diferentes tipos de violência que sofrem – principalmente as mais jovens, que fazem parte de uma geração que, de forma geral, vivencia esse debate abertamente no dia a dia.

A pesquisa também aponta que 26% das mulheres afirmam se sentir mais à vontade para denunciar casos de assédio e violência pelo telefone (centrais de atendimento, como 180 e 181); 24% presencialmente em delegacias voltadas ao público feminino; 18% por aplicativos de celular; 14% pela internet (e-mail, páginas ou redes sociais); e 6% em ONGs que atuam para auxiliar mulheres que passam por casos de assédio ou violência.

Entre as mulheres que se sentem mais à vontade para denunciar presencialmente nas delegacias, 31% são da classe C e 30% pretas e pardas. Esses dados podem indicar uma desigualdade no acesso aos canais que dependem de tecnologia e internet e da possível dificuldade de divulgação sobre os diferentes canais de denúncia.

Sobre o cuidado com filhos (as), a pesquisa aponta que 36% das mulheres ficam mais com o (a) filho (a) do que a outra pessoa que cuida, e 33% das mulheres não dividem cuidados com ninguém (o que representa 1.742.055 paulistanas). Ou seja, 69% das mulheres cuidam sozinhas ou quase sozinhas dos (as) filhos (as).

Apesar do aumento de 8% em relação ao ano anterior das mulheres que dividem igualmente os cuidados de filhos (as) com outra pessoa (chegando a 20%), não é possível afirmar que a divisão com o pai e/ou companheiro esteja se tornando mais igualitária, pois não há especificação de quem é a pessoa com quem divide os cuidados.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa

Viver em São Paulo: Mulher e a Cidade

Margem de erro

5 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais.

Tema

Administração pública

Educação

Opinião pública

Segurança

Contratante

REDE NOSSA SÃO PAULO

Período

04/12/2018 a 21/12/2018

Local

Brasil

Amostra

416 entrevistas com respondentes de 16 anos ou mais do sexo feminino que participaram da pesquisa “Viver em São Paulo” completa.

ARQUIVO(S) PARA DOWNLOAD
Viver em São Paulo: Mulher e a Cidade